pink money: a tendência do consumo rosa
Atualizado: 20 de nov. de 2020
Do abraço na diversidade ao interesse no pote de ouro ao final do arco-íris.
Entenda a correlação da cultura do Pinkwashing com o mercado financeiro

Existe uma estimativa de que 10% dos brasileiros façam parte da sigla LGBTQI+. Ou seja, são quase 20 milhões de pessoas. Para efeitos de comparação, é como unir as populações da Grécia e de Portugal ou quatro vezes a população de países como Noruega e Dinamarca. Esse número não é pouco.
Conforme os anos foram passando e os estigmas e preconceitos foram sendo combatidos e destruídos através de uma longa trajetória de lutas e confrontos na sociedade, países
desenvolvidos começaram a fortalecer políticas públicas para essa parcela significativa da
população, como a descriminalização da homossexualidade e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Foi aí, então, que esse público começou a ocupar espaços que antes eram completamente
excluídos de LGBTQI+. Essa parcela começou a entrar no mercado de trabalho e tomar mais seu espaço graças à inclusão social para com essas pessoas que eram marginalizadas por causa de sua condição e orientação sexual.
A partir daí, a ascensão social e econômica começou a chamar a atenção de diversos nichos de mercado, alguns atraídos pelo poder aquisitivo dos LGBTQI+, outros, porque começaram a entender as necessidades e criar ambientes seguros, gay friendly e livre de qualquer preconceito ou desconforto pela orientação sexual. Deste momento em diante, o respeito não foi conseguido apenas através de políticas sociais, mas também através do dinheiro, pois para atrair esses clientes, era preciso mostrar que se importava com a causa.
Esse dinheiro, cujas estimativas atuais estão por volta de R$ 722 bilhões, o que é pouco menos que o PIB da Turquia e pouco mais que o PIB da Irlanda, recebeu o nome de Pink Money, dinheiro rosa, ou dinheiro LGBTQI+.
Esse segmento começou, cada vez mais, a exigir empresas que recebem o Pink Money a se posicionarem publicamente sobre suas políticas a respeito dos homossexuais. Essas pessoas eram incluídas dentro do quadro de funcionários? Elas apoiam a causa? Elas se posicionam a favor de mais direitos? O que a empresa tem feito pela comunidade?
Afinal, não adianta só trocar o avatar das redes sociais todo ano no mês de junho, conhecido como mês do Orgulho LGBTQI+.
As pessoas com maior poder aquisitivo começaram a pressionar governos e empresas por
posicionamento social, pois sabe-se que há uma parcela significativa da população que é
economicamente ativa e importante e que movimenta o turismo, o entretenimento, a moda,
entre outros.
Mas como qualquer parcela da população, independente de cor ou classe social, o Pink Money também pode estar sendo mal investido ou mal gasto, pela falta de educação financeira que permeia a sociedade, por falta de instrução, como vem acontecendo com diversas gerações, por não se ter acesso a esse conhecimento nas escolas públicas ou nas instituições privadas.
Um público poderoso, mas que ainda continua sendo vulnerável, com uma força econômica significativa que pode continuar mudando diversos segmentos a partir de iniciativas socioeconômicas.
Há um grande caminho a ser percorrido, mas com certeza a educação financeira é
fundamental na elaboração de um futuro melhor para os LGBTQI+ e para a diversidade na
sociedade.



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